quinta-feira, 17 de junho de 2004

O dinheiro é tão bonito!

Existem duas personalidades relacionadas com Portugal que têm, neste momento, uma exposição mediática enorme. Um chama-se Luís e o outro José. O primeiro é o embaixador espanhol em Portugal; gosto muito dele porque reconheço o enorme esforço que faz para falar português; o seu apelido é Figo. O segundo senhor escreve ensaios sobre a capacidade visual; que ele próprio tem enfraquecida, considerando a forma como coloca a pontuação; e o seu apelido é Saramago.
Bem, deixando a brincadeira de parte, este último senhor disse, aquando do início da actual guerra no Iraque, que se as religiões não existissem, as guerras também não teriam lugar no mundo. Lembro-me de nessa altura acrescentar para comigo próprio, com vontade de substituir, o elemento dinheiro.
Já quando eu era teenager dizia, com extrema convicção, que as duas piores invenções do Homem foram os espelhos e o dinheiro, os espelhos porque trouxeram a vaidade, a superficialidade, etc., e o dinheiro porque trouxe poder e o desejo de o obter. Ambos os elementos contribuíram para um fenómeno muito característico dos humanos: o de terem ânsia de se superiorizarem relativamente aos outros. Existe uma produção humana que retracta bem a ânsia de obter poder, estou a falar d”O Senhor do Anéis” de Tolkien e da sua adaptação ao cinema. Apesar de muita gente gostar da escrita fantástica de Tolkien ou dos efeitos especiais e grandiosidade do filme de Peter Jackson, o facto é que no Senhor dos Anéis está bem patente a força de atracção que existe entre os humanos e o poder. Na sociedade actual não é um anel que traz poder mas sim o dinheiro. No entanto, o que li há algum tempo atrás faz-me crer que não é todo o tipo de dinheiro. A noticia baseava-se num estudo que afirmava que as pessoas se sentiam mais realizadas e felizes quando a sua fortuna era resultado do seu trabalho, ao invés, se as pessoas ganhassem o seu dinheiro numa lotaria esse sentimento não estaria presente. O que eu pensei na altura foi que ao humano não basta ter dinheiro para se sentir realizado, ele tem de ver o seu dinheiro crescer junto com o seu poder e saborear esse crescimento. Ganhar a lotaria implica não lutar por nada e não deixar outros para trás na ascensão, logo, não tem piada.
Para chegar ao porquê da vontade do ser humano em ter poder e ser superior aos outros tinha de escrever muito, por isso é melhor constatar as engraçadas figuras que a Humanidade tem feito ao longo do tempo por causa de dinheiro e poder. Milhares de pessoas morreram em toda a História para que um líder louco saciasse a sua sede de poder, e em que é que isso modificou a vida desses loucos? Certamente lhes deu um fim muito mais grandioso e dramático que aos outros. Talvez a diferença esteja aí, na maneira como se abandona o mundo. Muitos foram esfaqueados, enforcados, baleados, tudo resultado do ciclo de poder que motivou loucos mais jovens a conquistar o que pertencia aos seus adversários.
Vamos fazer o exercício cliché, vamos imaginar o mundo sem notas nem moedas................................. Não dá, o preço do barril teria de ser quantificado em alguma coisa senão não valia a pena inventar desculpas para ocupar países árabes. Substituamos então o dinheiro por outra coisa. Cascas de banana. €1 equivalente a uma casca de banana. Dizer que alguém tem a ânsia de obter mais e mais cascas de banana já não parece tão ganancioso. O barril de petróleo custaria agora 40 cascas de banana. 41. 43. 46. Novo recorde do preço do petróleo, 48 cascas de banana. É melhor deixar o petróleo em paz. Quando comecei a fazer este exercício não me lembrei de uma coisa. Os países produtores de banana seriam os mais ricos do mundo. Ainda bem, isso quer dizer que os States já não mandariam no mundo. Bem, a bebida mundialmente consumida seria a caipirinha, haveria restaurantes a servir picanha em todo o lado, as línguas oficiais na comunicação internacional seriam o espanhol e o português, toda a gente admiraria a cultura do Brasil, Equador, Colômbia e todos os países da América do Centro e Sul. Certamente seria uma reviravolta interessante. Mas neste contexto há uma pessoa que seria muito perigosa, Alberto João Jardim. Este homem seria muito poderoso e decerto quereria conquistar o mundo. A sede da Europa seria a Madeira. Tudo por causa das bananas. O mundo transformado numa república das bananas. É melhor parar por aqui.
Parece que a maior parte das pessoas não gosta de ser o que é, quer ser algo mais, alguém superior, mais rico e poderoso. Será por causa de poder ter sempre um objectivo por cumprir que dará sentido à vida? Talvez seja isso. Tenta-se ser mais e mais rico e quando se é o mais rico de todos procura-se outro objectivo na vida, como por exemplo começar a viver.

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