domingo, 24 de outubro de 2010

Ancidade

Imagina-te a desceres uma rua da cidade. Em vez de leres todas as palavras que te rodeiam, nos anúncios, nos cartazes, etc, ouve-las em voz alta na tua cabeça. Quanto silêncio então terias? Nenhum. É o que sinto quando derivo pela cidade. No campo, é a natureza que te lê, que te ouve. Lá o silêncio assusta-me porque eu e a natureza ouvimos os devaneios constantes da minha mente, e tanto eu como ela não gostamos. Por isso um homem que não esteja em paz não pode desfrutar do silêncio de si e se refugia no barulho dos outros. Para não ouvir o seu.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

À noite, no terraço.

O vento sopra. FORTE. As luzes da cidade dissolvem-se no negro do céu, que brilha a espaços, nas estrelas. A Lua cresce, lentamente. Como morrem as árvores. Pessoas cruzam os céus, estrelas cadentes de metal com rasto de fumo que não se vê. Esse fumo estranho que invade a atmosfera. Eu, de roupas sopradas pelo vento, ascendo. Vou em direcção à escuridão, não sou um corpo estranho, sinto-me uno com a escuridão. Ela recebe-me, dá-m um sofá de nada que uso para, perdido, pensar. Não sei o que encontrarei quando descer.